segunda-feira, 26 de março de 2012

Texto da aula de Historia...


E então chegaram os portugueses...

Certo dia, os índios de uma comunidade que vivia no sul da Bahia, perto da praia, viram se aproximar pelo mar alguns barcos imensos...
Depois viram desembarcar algumas pessoas... Cor da pele diferente da deles. Modo de falar diferente. Vestidas dos pés ao pescoço. Barbudos. Chapéus esquisitos...
Isso aconteceu 512 anos atrás: em 1500. O capitão daqueles barcos era Pedro Álvares Cabral, um português.

Com a palavra, o índio.
Veja como um índio de hoje conta como foi o encontro entre seus antepassados e os descobridores:
“Muito longe daqui tinha uma terra que se chamava Europa. Lá moravam homens de pele branca. Eles tinham costumes muito diferentes dos nossos...
Quando os brancos chegaram, a gente pensava que eles eram amigos...
Mas depressa, bem depressa, a gente descobriu o que o homem branco queria: a nossa terra. Ele veio roubar a nossa terra, ele veio usar nosso trabalho. Ele veio ficar rico com nosso trabalho. Ele veio ficar rico com as coisas da nossa terra.”

Com a palavra, os portugueses.
O escrivão Pero Vaz de Caminha conta, em carta ao rei de Portugal, como descobriram o Brasil e os índios:
“No dia 22 de abril de 1500 avistamos terra: primeiro um grande monte... a que o capitão deu o nome de Monte Pascoal; à nova terra chamou de Terra de Vera Cruz. E dos navios avistamos homens que andavam pela praia...”
E a carta fala dos índios:
‘Eles não lavram, não criam, nem há aqui boi, nem vaca, nem cabra, nem ovelha, nem outros animais domésticos...”
Alguns portugueses foram visitar a aldeia dos índios:
“Havia lá nove ou dez casa, tão compridas  como nosso navio. Eram de madeira e cobertas com palha. Todas de uma só peça. Tinham dentro muitos esteios. De esteio a esteio, uma rede atada pelas pontas, alta, onde dormiam. Debaixo, para se esquentar, faziam fogo.
Diziam que em cada casa moravam 30 ou 40 pessoas...”
E o escrivão fala da terra.
“Nesta terra, até agora, não sabemos se há ouro, prata, ferro... A terra tem um clima agradável. Tem muita água. A terra parece tão boa que se quisermos aproveitá-la dará de tudo...”

E os portugueses começaram a explorar a terra e os índios.
A primeira riqueza que os portugueses exploraram no Brasil foi o pau-brasil. Uma madeira avermelhada, cor de brasa (daí, o nome pau-brasil) que era muito abundante na Mata Atlântica, perto do litoral. Era ótima para construir navios, fazer móveis e fazer tinta usada no tingimento de tecidos.
Para cortar as árvores, limpar os troncos e levá-los até os navios ou depósitos, os portugueses usaram índios. No início, em troca do trabalho, os índios recebiam espelhos, colares, roupas, facas, machados, espingardas, anzóis, enxadas... Depois, passaram a ser forçados a trabalhar como escravos.

É um índio que conta.
Os brancos acharam que a terra era deles. Eles não reconheceram que esta terra tinha dono. Eles não reconheceram que os índios eram gente livre, que os índios tinham um trabalho livre.
Por isso, eles começaram a caçar os índios para fazer escravos. Eles começaram a atacar as aldeias do nosso povo. Eles começaram a matar gente do nosso povo... Aí nosso povo teve que lutar.

O massacre dos índios.
“Aí nosso povo teve que lutar.”, mas foi uma luta muito desigual. O arco e a flecha não podiam competir com as armas de fogo. O índio saiu sempre perdedor:
→ aqueles que reagiram diretamente foram mortos, massacrados;
→ aqueles que aceitaram conviver com os invasores foram escravizados, obrigados a abandonar seus costumes, e muitos morreram de doenças dos brancos;
→ aqueles que fugiram para o interior foram caçados como bichos, levados presos e escravizados.
Calcula-se que na época da chegada dos portugueses, havia cerca de 5 milhões de índios nas terras brasileiras. Hoje, seus descendentes mal chegam a 300 mil. É bem verdade que esse número tem crescido lentamente.
A luta dos índios por seus direitos continuou ao longo desses anos. Eles tentaram e ainda tentam conservar as terras onde vivem e seus costumes.